Crossfit: saiba como o quadril pode melhorar seu LPO, ginásticos, corrida e Double Under

quadril

Sumário

O quadril é importante não só em movimentos básicos do dia a dia, como caminhar e subir escadas, como também é decisivo em atividades que exigem força, potência, equilíbrio e absorção de impacto, como o CrossFit e a corrida.

Quando o quadril funciona de forma adequada, ele contribui para a estabilidade do corpo, melhora o desempenho esportivo e ajuda a proteger outras estruturas, como a coluna. Por outro lado, quando esse funcionamento é inadequado, surgem compensações que podem resultar em dores, perda de rendimento e lesões.

Neste texto você vai entender como o quadril atua na prática esportiva, qual é a sua relação com a pelve e o assoalho pélvico, e por que falhas na execução dos movimentos podem levar a sintomas comuns como dores lombares, instabilidade na corrida e até escapes urinários durante exercícios de impacto.

Como funciona o quadril na prática esportiva

O quadril exerce um papel fundamental na manutenção da estabilidade do corpo durante os movimentos.

Essa estabilidade acontece graças ao que chamamos de ritmo lombo-pélvico, que é a ação coordenada entre a lombar, a pelve e o quadril. Essa sincronia permite que o corpo distribua melhor as cargas, mantenha o alinhamento e execute os movimentos de forma eficiente e controlada.

Um bom exemplo é quando alguém se mantém apoiado em apenas uma perna. É natural esperar que essa pessoa se mantenha estável, sem perder o equilíbrio ou compensar o movimento inclinando o corpo excessivamente para a frente, para trás ou para os lados.

Essa estabilidade é garantida pelo ritmo lombo-pélvico.

Para aprofundar essa compreensão vamos abordar, na sequência, como o quadril se comporta durante práticas esportivas como a corrida e o CrossFit.

Como é o funcionamento ideal do quadril na prática do CrossFit

O CrossFit é uma prática de alta intensidade, que sofreu muita influência de movimentos que vieram, originalmente, tanto da ginástica, como os movimentos em que os praticantes ficam pendurados na barra, como do LPO (levantamento de peso olímpico).

Quem pratica CrossFit provavelmente já ouviu falar do seu coach sobre a tríplice extensão, que nada mais é do que a extensão de 3 áreas específicas do corpo durante os movimentos: o tornozelo, o joelho e o quadril. Quando bem executada, ela permite ao atleta aplicar mais força nas pernas.

E adivinha de onde vem 1/3 dessa força?

Se você pensou no quadril, parabéns, você acertou.

Veja a seguir quais são os principais erros na prática do CrossFit em relação ao quadril.

As principais falhas do funcionamento do quadril na prática do CrossFit: pull up, deadlift e snatch

O quadril é uma das primeiras estruturas a receber e transmitir a energia gerada pelo restante do tronco. Se o abdômen estiver bem estabilizado e os braços firmes na barra, o próximo elo dessa cadeia de movimento será o quadril.

Para que a força seja transferida de forma eficiente para o movimento seguinte, o quadril precisa gerar um impulso explosivo e direcionado corretamente para cima.

Se você pratica ou já praticou CrossFit, já ouviu falar no Murphy, quando os atletas executam 100 pull ups, 200 push ups e 300 agachamentos. É durante o agachamento que podemos notar uma falha significativa em relação ao quadril: como o número de repetições deste movimento é alta, alguns praticantes tendem a não finalizar o movimento em pé.

Eles conseguem agachar e ultrapassar a linha da paralela sem dificuldade. No entanto, ao retornar para a posição em pé, o movimento não é finalizado corretamente: o quadril permanece projetado para trás, enquanto o peito se inclina excessivamente para a frente.

A importância da extensão do quadril no desempenho esportivo

Na prática, o que acontece é a falta de extensão completa do quadril, que impede a finalização eficiente deste movimento, tão importante na execução do LPO e dos ginásticos.

Outra falha bastante frequente na prática do CrossFit é quando o atleta, em vez de colocar potência no quadril, coloca na região lombar. Em movimentos como o deadlift, por exemplo, ele trava o quadril flexionado e aplica força na lombar para finalizar o movimento.

O problema é que a região lombar é uma estrutura bem mais frágil. Ela é formada por apenas cinco vértebras relativamente pequenas, posicionadas uma sobre a outra, o que a torna menos preparada para absorver cargas e compensações de forma repetida.

Esse padrão de movimento se repete com frequência no CrossFit e acaba contribuindo para a perda de desempenho em levantamentos que exigem potência de membros inferiores. Quando a extensão do quadril não acontece de forma adequada, a força deixa de ser transferida de maneira eficiente.

Por outro lado, a execução correta desses movimentos, com a extensão completa e bem coordenada do quadril, é um excelente exemplo do seu bom funcionamento e da contribuição dessa articulação para o bom desempenho esportivo e prevenção de lesões.

Como é o funcionamento ideal do quadril na prática da corrida

Quando pensamos na corrida, é inevitável lembrar que, durante a sua prática, o corredor fica repetidamente apoiado em apenas uma das pernas. Nessa fase do movimento, o peso corporal, que antes estava distribuído entre os dois pés, passa a ser sustentado por uma base que é muito menor: a planta de um único pé.

É nesse momento que o trabalho coordenado entre a bacia e o quadril assume um papel fundamental. Essa estrutura faz a conexão entre a perna que permanece suspensa no ar e o peso corporal que vem da parte superior do corpo, garantindo equilíbrio, estabilidade e a execução contínua do movimento.

Veja a seguir quais são os principais erros na prática da corrida em relação ao quadril.

As principais falhas do funcionamento do quadril na prática da corrida

É muito comum observar corredores que apresentam um excesso de movimento lateral do quadril, com a bacia oscilando de um lado para o outro (rebolando) e tendendo a cair para o lado que está sem apoio, com a perna suspensa no ar.

Esse padrão costuma estar associado a uma deficiência da musculatura glútea e dos músculos responsáveis pela sustentação da pelve em relação ao transverso do abdômen (os oblíquos que sustentam a lateral da bacia).

Quando essas estruturas não estão desenvolvidas o suficiente, o corredor encontra mais dificuldade para manter o controle dessa região, especialmente em uma base reduzida de apoio que caracteriza a prática da corrida. Isso provoca uma sobrecarga do trato iliotibial (estrutura que lembra uma fita e faz a ligação entre o joelho e a lateral da bacia), tornando-se uma das causas mais frequentes de lesões na corrida.

Outro problema muito frequente na corrida, e que afeta diretamente o quadril, é a questão do impacto. Se o corredor apresenta uma corrida muito marcada, forte, que faz barulho, grande parte dessa carga acaba sendo absorvida pelo quadril.

Quando o corredor não consegue dissipar parte do impacto no tornozelo e no joelho, essa força chega praticamente inteira ao quadril. Se o quadril está funcionando de maneira adequada, consegue estabilizar o movimento. Se não, esse impacto chega até a coluna.

Isso explica as queixas frequentes de corredores de dores tanto na coluna quanto no quadril. Por isso é tão importante entender a função do quadril de absorver parte desse impacto que acontece na corrida.

Uma analogia para você entender melhor o funcionamento do quadril

Pense na estrutura da bacia como sendo uma bacia de plástico. Encha essa bacia até a metade com água e caminhe segurando ela. Seu objetivo é evitar que a água caia. Para que a bacia não balance demais e derrame a água, você terá que manter o equilíbrio no seu caminhar. Você não pode acelerar, nem balançar demais o seu corpo. Se você fizer isso, a água vai derramar.

Assim é a função da estrutura da bacia: promover uma transição harmônica entre os movimentos que estão acontecendo nas partes superior e inferior do corpo. As pernas devem se movimentar de uma forma cadenciada, proporcionando estabilidade da cintura para cima.

A importância da estabilidade da bacia nos movimentos do corpo

A bacia deve fornecer estabilidade para o assoalho pélvico e para o abdômen. Estes, por sua vez, devem sustentar o tronco, a cabeça e todas as demais estruturas que estão localizadas na parte superior do corpo. Ao caminhar, você deve lembrar que está carregando uma bacia cheia d’água que precisa ser equilibrada.

Podemos usar essa mesma analogia para o movimento de ficar sobre uma perna só: se você pender o seu corpo para o lado cuja perna está suspensa no ar, a água vai virar.

Ou então em uma atividade que exige potência, como o agachamento. Neste caso, você vai manter a bacia com água na altura da cintura, mantendo os braços imóveis e movimentando somente as pernas. Agora, o objetivo será diferente. Você deve agachar e ficar de pé rápido o suficiente para jogar a água para cima no final do movimento.

É como se você estivesse sentado com a bacia no seu colo e de repente quisesse levantar rápido. Você vai seguir uma sequência de movimentos: fixar os pés no chão, esticar os joelhos, estender o quadril, para somente então finalizar o movimento, cujo resultado será a água saltando para cima.

Na execução do snatch, para conseguir dar o arranque, deverá seguir essa sequência.

Através dessa analogia é possível perceber a diferença do comportamento da bacia na prática da corrida e da caminhada em relação ao CrossFit.

No CrossFit, a água da bacia deve se manter equilibrada durante todo o movimento. Somente no final essa água (a potência) deve ser jogada para cima.

Entenda a relação do quadril com a pelve, DU- Double Under

Um fator muito importante para compreender o funcionamento do quadril é a sua relação direta com a pelve. Ao observarmos a anatomia dessa região, fica evidente como as suas estruturas musculares estão interligadas.

Muitos músculos têm origem no centro da bacia, dos glúteos ou do sacro, contornam a pelve e se inserem no quadril. Essa disposição anatômica explica por que o controle e a estabilidade dessa região dependem tanto do trabalho integrado entre pelve e quadril.

Esses músculos recebem o nome de pélvico-trocantéricos, já que se estendem da pelve até o trocânter (uma parte do osso do fêmur) e são essenciais para funções importantes do assoalho pélvico, como a continência urinária, a continência fecal e a tensão da musculatura da região.

Sofrer com o escape de xixi em atividades de impacto como corrida, pular corda e pular na caixa ou em exercícios que exigem força, como o agachamento, são um sinal de que algo não está bem na região.

Pode estar havendo uma confusão sobre qual é a função dos glúteos, dos estabilizadores de quadril e do assoalho pélvico na execução desses movimentos. Usando a analogia da bacia cheia d’água, a água vai saltar para todos os lados, principalmente para baixo (quando ocorre o escape).

A seguir, vamos abordar uma das principais causas de disfunção nesta região.

Saiba o que pode causar disfunção no assoalho pélvico

Mais frequente em mulheres, as disfunções no assoalho pélvico podem provocar dor durante o ato sexual. Isso acontece porque essa região, que deveria contrair somente para cumprir funções como segurar o xixi e o cocô, e relaxar em outros momentos, como o da relação sexual, se mantém constantemente contraída. Isso provoca uma tensão excessiva na região, impedindo a mulher de relaxar nesse momento.

Por que ocorre essa contração excessiva?

Porque, em geral, essas mulheres não sabem diferenciar a função do quadril da função do assoalho pélvico. O resultado é que, ao agachar, em vez de estabilizar o quadril, elas contraem a musculatura do assoalho pélvico. E contraem tanto que, quando terminam o exercício, esquecem de relaxar.

Quando chega o momento de urinar, evacuar ou ter relações sexuais, a contração causa fluxo interrompido, dor e desconforto no baixo ventre.

Mas por que acontece o escape?

Porque a região fica tão tensa que os músculos ficam fatigados. Quando elas vão fazer uma atividade de mais impacto, como pular corda no CrossFit, perdem o controle da região, ocasionando a incontinência.

Não é por falta de força. É justamente o contrário: pela força constante e excessiva, o assoalho pélvico não consegue cumprir sua função quando necessário.

Neste caso, também podemos adotar a analogia da bacia com água.

Quando não conseguimos segurar a bacia em uma posição de baixo para cima, fazemos pressão de cima, provocando o vazamento da água para baixo. É muito comum vermos abdômens sendo acionados dessa maneira incorreta: colocando muita pressão em cima e, ao contrário do que deveria ser, deixando a parte inferior (baixo ventre, parte mais baixa do transverso do abdômen e assoalho pélvico) mais solta, com pouca ou nenhuma pressão.

Para evitar isso, essa região deve funcionar como uma bacia: seguramos embaixo para conter o líquido, deixando a parte superior mais livre.

Conclusão

Entender o funcionamento do quadril vai muito além de observá-lo como uma articulação isolada. Ele tem um papel importante na estabilização do corpo, conectando os movimentos das pernas com o tronco e influenciando diretamente tanto no desempenho esportivo quanto na prevenção de lesões.

Em práticas esportivas como a corrida ou o CrossFit, o quadril precisa funcionar de forma adequada e coordenada com as estruturas ao seu redor. Quando esse funcionamento falha, ocorrem compensações que podem, além da perda de desempenho, gerar dores na lombar, sobrecarga no quadril, lesões por impacto e disfunções no assoalho pélvico.

Observar os padrões de movimento, entender os sinais do corpo e reconhecer a importância da estabilidade dessa região é fundamental para prevenir problemas e melhorar o desempenho esportivo. Quanto melhor o quadril cumpre sua função, mais harmônico, potente e seguro se torna o movimento.

Se você sente alguma limitação na prática esportiva que pode estar relacionada ao funcionamento do quadril, venha nos visitar na Wolf Fisioterapia, uma clínica especializada em Fisioterapia Esportiva localizada no Brooklin, em São Paulo. Clique aqui para agendar uma sessão de avaliação com a nossa equipe.

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