Você sente dor no quadril? Principais problemas, sintomas e alguns exercícios que utilizamos nos tratamentos

Sumário

Nos dois textos anteriores você descobriu como o quadril funciona, como ele deve se comportar em práticas esportivas como o CrossFit e a corrida e quais são os principais sinais que podem servir de alerta para possíveis problemas nessa articulação.

Neste texto iremos abordar as principais doenças articulares que acometem o quadril, seus sintomas e quais são as melhores formas de tratar.

Leia até o final para entender melhor cada uma delas e saber como se prevenir de possíveis lesões.

1) Síndrome da Banda Iliotibial

A primeira condição que iremos abordar é a Síndrome da Banda Iliotibial, uma condição inflamatória que envolve o tensor da fáscia lata, músculo localizado na lateral do quadril. Ela surge quando essa musculatura é sobrecarregada, passando a funcionar como uma “fita esticada” que tenta estabilizar a bacia em relação ao joelho, gerando tensão excessiva na região.

Ela funciona realmente como uma faixa que, toda vez que é tensionada, se estica para manter a bacia estabilizada. Quando está trabalhando sozinha, sem o apoio adequado de outros músculos, aumenta muito a chance de sobrecarga, inflamação e lesão.

Se você pegar uma faixa e ficar esticando ela sem parar, a chance das suas fibras se romperem é grande, certo? Bem maior do que se você esticar e soltar repetidas vezes, distribuindo a força mais regularmente ao longo do tempo.

Esse é um dos erros mais frequentes que observamos em nossos clientes que são corredores: eles aplicam muita tensão nessa área, seja porque têm uma corrida muita pesada e marcada, seja porque deixam a bacia pender para a lateral, quando o certo seria mantê-la estabilizada.

Veja quais são os principais sintomas da Síndrome da Banda Iliotibial:

  • dor localizada na lateral do quadril;
  • sensação de queimação na região;
  • sentir uma pontada durante a prática da corrida.

Embora a sensação mais comum seja uma pontada na lateral do quadril ao colocar o pé no chão, muitas vezes essa pontada pode irradiar para a coxa. É comum ocorrer, também, uma dor referida na parte lateral do joelho.

O tratamento deve sempre passar, primeiramente, pela investigação do que está causando tanto estresse nessa faixa.

Por que ela está tão esticada, sofrendo tanta tensão? Qual a causa raíz dessa tensão? Por que ela não está sendo amortecida?

Lembrando que, embora seja mais comum entre os corredores, esta é uma síndrome que também pode acometer tenistas, já que eles executam muitos deslocamentos laterais enquanto jogam.

Uma das melhores formas de evitar essa lesão é fazer uma transição suave entre uma perna e a outra enquanto caminha ou corre. Alguns exercícios que podem ajudar a melhorar essa transição são:

1) posicionar-se sobre uma perna só e se manter equilibrado, com a perna que está apoiada no chão bem esticada. Então alternar a perna fazendo o possível para manter-se na mesma altura, sem deixar o quadril pender para o lado;

2) subir em um step mantendo a região do quadril estabilizada. Lembra da analogia da bacia com água que utilizamos no artigo anterior? Crossfit saiba como o quadril pode melhorar seu LPO, ginásticos, corrida e Double Under. Pense que você deve subir no step sem virar a bacia e deixar a água cair.

2) Tendinite de glúteo e tendinite de quadril

Mais comuns em jogadores de handebol e de futebol, por serem práticas que exigem muitos deslocamentos laterais e movimentos de pivô, as tendinites de glúteo tem um mecanismo similar ao da Síndrome da Banda Iliotibial, porém atingindo uma musculatura diferente.

Enquanto na Síndrome da Banda Iliotibial a lesão atinge a lateral do glúteo, as tendinites ocorrem na parte posterior dessa região, podendo atingir a articulação sacro ilíaca, localizada na região mais central do glúteo.

A bursite e a tendinite de quadril, por sua vez, acontecem quando essas lesões atingem os rotadores laterais de quadril.

Veja quais são os principais sintomas:

– pontada na lateral do quadril, associada à uma contratura dos músculos da região glútea, como o glúteo médio, o piriforme, além de vários outros músculos da região do quadril;

– sensação de ardência na lateral da coxa e do glúteo, que pode se confundir um pouco com a dor no nervo ciático.

O tratamento é conservador e envolve um trabalho de fortalecimento da musculatura lateral do quadril. Mas de acordo com a nossa experiência, o tratamento não pode se limitar ao desenvolvimento da força.

No caso de um jogador de handebol, é preciso descobrir porque esta musculatura está sendo tão exigida, levando ao seu desgaste. Como o restante do corpo está se comportando durante o jogo? Como os movimentos estão sendo executados?

Se observarmos um lutador de jiu-jitsu executando a guarda (posição em que ele permanece deitado no chão, com os pés apoiados nos braços ou no tronco do adversário) fica evidente que, para manter o controle, ele realiza de forma repetida o movimento de abertura dos joelhos. Esse movimento provoca uma excessiva rotação lateral do quadril, provocando a tendinite de quadril.

Por isso, além de entender por que essa musculatura está sendo tão exigida, é preciso buscar maneiras de aliviar essa sobrecarga, acionando outros grupos musculares para atuarem em conjunto com os músculos do glúteo.

Dois exercícios excelentes para fortalecer essa musculatura são:

Stiff unilateral, ou aviãozinho: como é popularmente conhecido. Você deve se posicionar sobre uma perna só e levar o braço oposto até o dedão do pé que está no chão.

São vários os benefícios desse exercício. Além de fazer com que a bacia se mantenha estabilizada em um eixo, demanda bastante equilíbrio e alonga a musculatura do quadril.

Exercício do siri: você deve colocar um elástico em volta dos joelhos e se colocar na posição de agachamento. Então caminhe para o lado, como um siri, abrindo e fechando as pernas. O principal benefício desse exercício é o fortalecimento da região glútea de forma geral.

3) Necrose da cabeça do fêmur

A necrose da cabeça do fêmur atinge, principalmente, homens acima dos 60 anos, e ocorre quando as artérias que irrigam a cabeça do fêmur ficam obstruídas.

O principal sintoma é uma dor forte e repentina no quadril, e com um exame de raio x é possível observar o comprometimento da estrutura.

O único tratamento possível é a cirurgia, onde são retirados a cabeça do fêmur e uma parte do acetábulo (o encaixe da articulação), substituindo-os por uma prótese.

Com a substituição da articulação, a melhora costuma ser significativa, permitindo ao paciente retomar a funcionalidade do quadril e, por consequência, a qualidade de vida. Estudos indicam, inclusive, que este é um dos procedimentos cirúrgicos com maior índice de satisfação entre os pacientes.

Se fizermos um comparativo entre o pré e o pós operatório, podemos ver o quanto essa cirurgia é benéfica para o paciente:

Período pré-operatório

Antes da cirurgia, o paciente apresenta dor intensa e um comprometimento importante da tendinite de quadril. Trata-se de uma dor forte e difusa, que pode atingir tanto a região anterior quanto a posterior do quadril.

Diferentemente de dores em pontada, essa dor é contínua e interfere em atividades básicas do dia a dia, como caminhar, sentar e até mesmo permanecer deitado. Em muitos casos, nem analgésicos ou anti-inflamatórios esteroidais conseguem proporcionar um alívio adequado.

Período pós-operatório

Após a cirurgia, ocorre a dor esperada do pós-operatório, que geralmente se estende por uma a duas semanas. No entanto, a dor profunda e interna característica da doença desaparece. A melhora é significativa porque, com a substituição de uma parte da articulação, as terminações nervosas que estavam expostas devido ao desgaste da cartilagem são eliminadas.

Outro fator positivo é que, com o avanço tecnológico dos últimos anos, essa cirurgia, que antes durava 10 anos, agora tem uma validade de 20 anos ou mais. Para alguém que faz essa cirurgia aos 60 anos e tem uma expectativa de vida de 80 anos, o resultado é muito bom.

O processo de cicatrização da cirurgia de quadril também diminuiu significativamente, graças à evolução das técnicas de fixação. Se antes o paciente tinha que esperar dois meses para ter uma cicatrização completa, hoje é possível ficar de pé e caminhar um dia depois da cirurgia.

4) Artrite

A artrite nada mais é do que um quadro inflamatório da tendinite de quadril. Os sintomas se assemelham aos das demais dores articulares já mencionadas. Trata-se de uma dor inespecífica, profunda, percebida como uma dor interna na tendinite de quadril.

Muitos pacientes descrevem a chamada dor em “C”: uma dor que se inicia na região anterior do quadril, percorre a lateral e se estende até a região posterior, na região do glúteo. Costuma manifestar-se como uma dor em pontada, geralmente mais intensa ao acordar, com características inflamatórias. É uma condição mais comum em pessoas acima dos 45 a 50 anos.

O tratamento passa, inicialmente, pela identificação dos fatores que estão gerando sobrecarga na articulação do quadril. Quanto maior o impacto recebido de forma repetida, maiores são as chances de inflamação. Por outro lado, quando a pessoa consegue distribuir bem a carga, amortecer os movimentos e realizar a transição entre as pernas com menor impacto, o risco de desenvolver esse tipo de problema tende a ser menor.

No entanto, é fundamental avaliar inicialmente a própria articulação, compreender o grau de comprometimento existente e verificar a necessidade de medicação.

Somente após essa etapa é indicado direcionar o tratamento para os aspectos mecânicos, analisando os padrões de movimento e as posturas adotadas no dia a dia, como permanecer com uma postura muito baixa, ou longos períodos sentado ou em pé.

O fortalecimento muscular é fundamental, especialmente em pessoas com idade mais avançada ou que são sedentárias. O fortalecimento do quadril, da coxa e da panturrilha é essencial, pois esses grupos musculares ajudam a absorver o impacto proveniente do solo, reduzindo a sobrecarga que chega às estruturas articulares superiores.

Alguns exercícios que podem ajudar muito neste caso são:

– o agachamento;

– ponte – exercício realizado de barriga para cima, com os pés apoiados no chão. Os pés devem ser pressionados contra o solo, elevando os glúteos do chão. Esse movimento promove o fortalecimento da musculatura da região glútea;

– SLR (Straight Leg Raise) – exercício realizado de barriga para cima, no qual a pessoa mantém um dos pés no chão e eleva a outra perna estendida. Enquanto isso, ela faz a elevação do quadril, retirando o calcanhar do chão e erguendo a perna que está esticada.

Trata-se de um exercício muito eficaz para o fortalecimento da musculatura do quadril.

Conclusão

A tendinite de quadril apresentam causas, mecanismos e sintomas diferentes, mas todas têm algo em comum: quando não são identificadas e tratadas corretamente, tendem a comprometer de forma significativa a mobilidade, o desempenho físico e a qualidade de vida.

Compreender como o quadril funciona, reconhecer os sinais de alerta e entender o impacto que padrões de movimento inadequados exercem sobre essa articulação é fundamental tanto para a prevenção quanto para o tratamento das lesões.

Em muitos casos, a combinação entre avaliação clínica adequada, ajustes mecânicos, fortalecimento muscular e, quando necessário, intervenção medicamentosa ou cirúrgica, permite controlar a dor e recuperar a funcionalidade.

Por isso, ao surgirem sintomas persistentes no quadril, é fundamental investigar a origem do problema, respeitando os limites do corpo e adotando estratégias que reduzam a sobrecarga articular. O cuidado precoce faz diferença não apenas no tratamento, mas também na preservação da saúde do quadril ao longo do tempo.

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