Neste artigo vamos explicar como acontece, na prática, o tratamento das lesões na corrida de rua na Wolf Fisioterapia, nossa clínica especializada em Fisioterapia Esportiva. Vamos responder, ainda, uma das perguntas mais frequentes de quem chega até nós: afinal, quanto tempo dura o tratamento?
Por fim, abordaremos as diferenças entre a fisioterapia convencional e a abordagem proposta pela Wolf, através da Fisioterapia Esportiva.
Quer entender como nosso método pode acelerar sua recuperação e otimizar seu desempenho? Continue a leitura e descubra o caminho para voltar a correr melhor e sem dor.
Como funciona o tratamento das lesões de corrida de rua na Wolf Fisioterapia e qual tempo de recuperação
As fases de tratamento da Wolf Fisioterapia se dividem em 3 etapas: a fase aguda, a fase de reestruturação e a fase de retorno ao esporte.
Etapa 1 – Fase aguda
É a primeira etapa do tratamento, quando o paciente chega na clínica sentindo muita dor e muitas vezes disfuncional, sem conseguir caminhar, sentar e subir ou descer escadas.
Nesta fase, o foco é tratar a inflamação, eliminar a dor e fazer com que esse paciente volte a ser funcional.
As técnicas ou procedimentos mais utilizados são:
- a liberação miofascial;
- o laser de baixa intensidade, ou laser terapêutico;
- o TENS (Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea), que consiste na eletroestimulação para alívio da dor;
- o ultrassom e a drenagem linfática, para tratar o edema.

É preciso parar de treinar durante a fase aguda?
A fase aguda é delicada e o grau de severidade varia muito a cada paciente. De maneira geral, se o quadro é muito severo e o paciente vem sentindo dor há muito tempo, não é recomendado treinar. Se ele não está conseguindo nem sentar, por que ele deveria correr?
O tratamento da fase aguda demora entre 7 a 15 dias (1 a 2 semanas).
Esse tempo de tratamento tende a aumentar quando a dor e a inflamação são deixadas de lado, ignorando os sinais que o corpo dá. É o que acontece na dor insidiosa, que surge sem um evento traumático (como uma queda). Por ter um início sutil e um agravamento lento e gradual, o paciente muitas vezes não sabe identificar exatamente quando e porque o quadro começou.
Nesses casos, o tratamento da fase aguda pode ser de até 4 semanas.
Etapa 2 – Fase de reestruturação
A segunda etapa é o que chamamos de fase de reestruturação. Nela, a dor já foi eliminada ou reduzida e vamos introduzir o paciente a novos estímulos de treino, porém de forma controlada, com a exposição ao impacto acontecendo de forma muito gradual.
Nesta fase, os exercícios são similares aos da musculação ou do treino funcional, quando olhamos para cada estrutura envolvida separadamente, como o joelho ou o quadril, com o objetivo de fortalecê-las.
Quais exercícios utilizamos nessa fase?
Atualmente, contamos com um protocolo bastante conhecido de tratamento de tendinites, chamado Heavy Slow Resistance (HSR), que começa na execução de movimentos isométricos, ou seja, na aplicação de força uniforme e sem movimento.
Através da isometria, iremos aplicar uma tensão organizada no tendão, estimulando a criação de células para reforçá-lo e deixá-lo mais firme.
Alguns exemplos de exercícios isométricos são:
- agachamento isométrico;
- prancha lateral, ótima para fortalecer o quadril;
- posições na ponta do pé, caminhar na ponta do pé ou caminhar sobre o calcanhar, ideais para o tratamento da fascite plantar.

Com a melhora dos sintomas, deixando de sentir dor, há uma evolução para exercícios concêntricos, mais comuns nos programas de fortalecimento, como o agachamento ou o exercício de panturrilha com o tempo de descida igual ao tempo de subida.
E para uma estimulação mais intensa dos tendões, o movimento excêntrico, que é o alongamento com tensão, é a aplicação de altas cargas para o controle apenas da fase de freio do movimento. Isso promove a adaptação do tecido tendíneo, por eliminar a fase de contração muscular concêntrica.
Uma pergunta muito comum é: quanto tempo leva esse processo de recuperação?
A fase de reestruturação pode levar de 2 a 10 semanas. É uma fase mais longa, porque depende muito de como o paciente vai reagir. Quando se trata de um trauma, em geral a resposta é mais rápida, ficando em torno de 2 a 3 semanas. No caso de uma pessoa que sente dor há anos, o tempo desta fase tende a se alongar, ficando entre 8 a 10 semanas.
Por isso, sempre destacamos sempre a importância de buscar tratamento assim que aparecerem os primeiros sintomas. Adiar só vai tornar o tratamento mais complexo e demorado.
Etapa 3 – Fase de retorno ao esporte
É a fase mais esperada, quando o paciente retorna à prática da corrida. Mas também é a mais perigosa, porque é cheia de acertos e erros, de idas e vindas. Principalmente nos casos em que a dor se resolve rapidamente e o paciente quer voltar logo a treinar. Ele ainda não tem a compreensão do que causou a dor e de como ele deve reorganizar seu corpo e seus movimentos para evitar reincidências.

Nessa fase, focamos em estruturar um calendário para que ele consiga retornar de forma muito consistente, pronto para atingir seu objetivo, que pode ser correr sem dor ou se desafiar em uma prova de 42 km.
Esse calendário é organizado levando em conta o seguinte:
- atender a demanda do paciente, que deseja voltar a correr;
- atender a demanda do corpo do paciente, que precisa de tempo para se readaptar. Ele já está há algum tempo sem correr, e não pode retornar correndo 15 km. Seu sistema cardiovascular, seu sistema respiratório, seu sistema muscular como um todo e o seu sistema ósseo, que está menos denso, precisam desse tempo de adaptação;
- respeitar os sistemas de cicatrização do seu corpo.
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Como funciona a 3ª fase do tratamento na prática
É durante a terceira fase que o paciente vai ser exposto, novamente, ao gesto da corrida. Nesse momento começamos a olhar, de fato, para a biomecânica do movimento a fim de investigar a causa raíz do problema e saber porque ele se machucou.
Vamos entender porque ele rebola ou porque ele tem uma passada tão forte que o faz bater o pé no chão.

Para mostrar como esta fase acontece na prática, vamos usar o exemplo de um corredor que tratamos há algum tempo com dor no joelho. Era um corredor experiente, que tinha cerca de 10 anos de corrida e participava de maratonas.
Observando esse paciente correr, notamos que ele produzia aquele rebolado, deixando o quadril cair para o lado. A fim de entender porque isso acontecia, pedimos para ele saltar sobre um step com apenas uma perna. Quando ele pousou sobre o step foi possível ver, nitidamente, o quadril oposto ao apoio caindo.
Naquele momento, identificamos a causa da dor no joelho: ao pousar o pé no chão ele dobrava o quadril, puxando o bumbum para trás e deixando o lado oposto, que estava sem apoio, cair. No lado da perna que estava apoiada no chão, acontecia um estiramento da lateral do quadril, explicando a dor que ele sentia no trato iliotibial.
Veja que, neste movimento de salto, não avaliamos somente o equilíbrio. Avaliamos, principalmente, como as articulações (tornozelo, joelho, quadril e coluna) estão se organizando para compor o eixo vertical que vai receber o impacto. Frequentemente, isso está ligado ao conjunto de contrações musculares para manter a perna esticada e todo o corpo vertical contra a gravidade.
Como corrigimos esse movimento e quais exercícios são indicados?
Ensinando nosso paciente a usar, de forma mais eficiente, a musculatura do abdômen e do quadril, até reeducar o movimento de empurrar o corpo e a perna contra o chão. Gostamos muito de aplicar exercícios realizados com os joelhos no chão: o paciente se posiciona com os dois joelhos apoiados no chão, e depois coloca um dos pés à frente. Ele deve aprender a equilibrar o peso corporal sem deixar o quadril pender para o lado.
Depois vamos evoluindo, com exercícios como o avanço e os saltos em cima de uma perna só, com todas as suas variações: laterais, para frente e para trás, com pausas e com trocas rápidas entre uma perna e outra.
Quanto tempo demorou a 3ª fase do tratamento?
Neste caso específico, a fase de retorno ao esporte durou 3 meses. A partir do segundo mês notamos que ele já tinha um movimento muito diferente, que veio a se consolidar no terceiro mês.
Continue lendo para saber a diferença entre o tratamento convencional e o tratamento proposto pela Wolf.
Qual a diferença entre um tratamento conservador e o tratamento proposto na Wolf, através da Fisioterapia Esportiva?

Uma das principais preocupações dos pacientes que chegam até a nossa clínica é saber se eles podem continuar correndo durante o tratamento ou, em caso negativo, quando eles poderão voltar a correr.
Em tratamentos mais conservadores, quando o paciente chega com dor e um quadro inflamatório, a recomendação é parar de fazer qualquer atividade física, repousar e tomar medicação (analgésicos e anti-inflamatórios).
Na Fisioterapia Esportiva, mesmo que o paciente não consiga correr na primeira fase do tratamento, que é a fase aguda, o fisioterapeuta já está pensando em como devolvê-lo ao esporte desde o primeiro dia de avaliação. Existe uma preocupação em não deixá-lo perder seu condicionamento físico durante o processo, principalmente quando recebemos atletas mais experientes ou de alto rendimento.
Seja quando ele está impedido de fazer alguns movimentos por causa da dor na fase aguda, seja quando ele está fortalecendo a musculatura na fase de reestruturação, estamos sempre buscando opções possíveis para manter a sua capacidade cardiorrespiratória em dia, através da bicicleta, do transport (elíptico), treinos intervalados ou, se estes não forem possíveis, através de atividades nos membros superiores, como o remo, o ski ergométrico ou atividades no chão.
Este é o grande diferencial da Wolf Fisioterapia no tratamento de lesões associadas à prática esportiva: tratar o paciente mantendo atenção ao seu condicionamento físico, para que, no final, seja possível devolvê-lo ao esporte de uma forma segura e eficiente.
Conclusão
Na Wolf Fisioterapia, nosso tratamento se divide em 3 fases: a fase aguda, onde controlamos a dor e a inflamação; a fase de reestruturação, onde trabalhamos o fortalecimento das estruturas relacionadas direta ou indiretamente à lesão; e a fase de retorno ao esporte, de uma forma organizada e bem planejada.
Em cada uma delas, estamos sempre atentos à manutenção do condicionamento físico dos nossos pacientes. Desde o início do tratamento, nosso objetivo é devolvê-los à prática da corrida sem dor, com segurança e correndo melhor do que antes.
Se você sente dor durante ou após a corrida, não espere o problema se agravar. Agende uma avaliação com nossa equipe especializada. Ou venha nos visitar pessoalmente. Nossa clínica está localizada no Brooklin, em São Paulo.
Cristyan Shimamoto é Fisioterapeuta graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e especializado em Esporte e Exercício pelo HCFMUSP. CREFITO-3: 293897-F.
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