Você sente uma dor na parte interna do joelho que parece estar aumentando gradualmente? Fique atento!
Esse desconforto pode ser a tendinite anserina, popularmente conhecida como tendinite da pata de ganso, uma condição que pode comprometer não apenas o seu desempenho esportivo, mas também atividades simples do dia a dia, como subir escadas ou agachar.
No texto de hoje vamos explicar o que é a tendinite da pata de ganso, quais são os seus principais sintomas e por que ela pode ser um sinal de alerta para falhas de postura e equilíbrio.
Além disso, vamos esclarecer dúvidas sobre o tratamento, indicar os exercícios mais recomendados e mostrar como prevenir o problema.
Fique com a gente até o final e descubra como proteger a saúde do seu joelho.
O que é tendinite da pata de ganso ou tendinite anserina? Quais são os sintomas?
Muito associada à prática da corrida, a tendinite anserina é uma inflamação que afeta os músculos semitendíneo, sartório e grácil e seus tendões. Estes músculos estão localizados na parte interna da coxa e se inserem na região próxima ao joelho.
É também conhecida como tendinite pata de ganso, porque estes três músculos, ao se unirem, formam uma espécie de tridente, lembrando a imagem de uma pata de ganso.

O principal sintoma é a dor na parte interna do joelho. Não é uma dor que acontece de repente, como a dor decorrente de um trauma.
Ela surge aos poucos, inicialmente durante a prática esportiva, podendo cessar após o período de descanso. E vai se agravando de forma gradativa, até comprometer a execução das atividades diárias, como subir e descer escadas ou abaixar para recolher um objeto no chão.
Vale destacar que, embora seja mais comum, essa condição não é exclusiva dos corredores. Praticantes de futebol, tênis, CrossFit e outras modalidades também estão suscetíveis.
Mas independentemente do esporte, o que realmente desencadeia essa inflamação? Para entender como o problema começa, precisamos olhar para os fatores que sobrecarregam esses tendões.
Qual a causa da tendinite da pata de ganso, também conhecida como tendinite anserina?
A tendinite anserina é o resultado de um estresse contínuo sobre os tendões, gerando o seu consequente desgaste. Mas o que exatamente causa essa sobrecarga?
Os músculos semitendíneo, sartório e grácil são responsáveis pelo movimento de adução de quadril, que é o movimento de fechar as pernas (ou coxas), aproximando-as em direção ao corpo. Quando esse movimento é realizado de forma repetitiva, gera um estresse nos tendões que estão localizados no final destes músculos, desgastando-os. O estiramento da parte medial do joelho também pode provocar esse desgaste.
Também pode haver uma exigência maior destes músculos quando outras musculaturas do corpo, como o core, não são ativadas corretamente. O core não faz a distribuição do peso corporal como deveria, sobrecarregando o músculo adutor interno da coxa que, além de cumprir sua função de movimentar a perna, precisa garantir o equilíbrio do corpo.
Surge então o que chamamos de dor referida (a dor que é sentida em um local diferente do local que a originou) na ponta do músculo, onde está o tendão.
Mas como funciona, na prática, o processo de reabilitação e quais são as etapas do tratamento? Continue lendo para conhecer.
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A tendinite da pata de ganso tem cura? Como é o tratamento?
Sim, a tendinite anserina tem cura, e o tratamento começa com o combate à dor e ao processo inflamatório (fase aguda).
Em seguida, partimos para um fortalecimento de baixa intensidade (fase de fortalecimento).
Por último, focar em corrigir o movimento e estabilizar o corpo para o retorno à prática esportiva (fase de retorno ao esporte).

É comum o pensamento de que o fortalecimento do joelho e da coxa resolvem o problema.
Mas a verdade é que sem um trabalho de correção da postura e do equilíbrio, essa região vai continuar sendo sobrecarregada e lesionada.
Através da Avaliação Biomecânica, a Fisioterapia Esportiva exerce um papel importante nesse processo de ajuste do movimento. Para que o tratamento tenha resultados efetivos, buscamos entender como o paciente está se comportando enquanto se movimenta.
Como ele se organiza ao ficar sobre uma perna só durante a corrida? Neste momento, todo o seu peso corporal está sendo depositado sobre um único joelho. Como está sendo feita essa distribuição de peso?
A flexão e a extensão são movimentos naturais dos joelhos, que funcionam normalmente durante a sua execução. Mas ao fazer movimentos laterais, como valgo e varo, o joelho se movimenta de forma mais limitada. Essa movimentação lateral é melhor suportada pela região do quadril e da cintura, onde há maior liberdade de movimento.

Na Avaliação Funcional, analisamos todos os fatores biomecânicos que predispõem a lesão, com o objetivo de entender o que realmente está sobrecarregando o joelho.
Corrigimos a postura, o equilíbrio e a forma como o paciente se move. Indo além da região afetada, conseguimos eliminar a causa do problema e frear o desgaste nos tendões.
Quais são os exercícios mais indicados para quem tem tendinite da pata de ganso?
Abaixo, selecionamos três exercícios que auxiliam tanto no tratamento quanto na prevenção da tendinite anserina. O foco aqui é devolver o equilíbrio e a estabilidade que o seu joelho precisa para permanecer saudável.
Exercício 1: Prancha lateral
É indicado para as pessoas que têm dificuldade de ativar corretamente o core quando estão se movimentando.
Geralmente, a maior dificuldade é contrair o abdômen sem prender a respiração. Alternar a prancha lateral entre o lado direito e o lado esquerdo simula a dificuldade de controle do abdômen que ocorre durante a corrida.
Exercício 2: Agachamento com elástico ao redor dos joelhos
É indicado quando o problema está localizado na região do quadril, o que força o atleta a posicionar os pés para dentro, causando estresse na parte interna do joelho.
Ao fortalecer os rotadores externos de quadril, este exercício faz com que os joelhos se posicionem de forma mais alinhada com o movimento da corrida.

Exercício 3: Ficar sobre uma perna só
Se o problema for falta de equilíbrio, um bom exercício será se manter sobre uma perna só e tentar se equilibrar ao fazer movimentos laterais, para trás e para a frente.
Uma pergunta muito frequente dos pacientes é: quanto tempo demora até a recuperação total? A resposta depende de alguns fatores que detalhamos a seguir.
Qual é o tempo de recuperação da tendinite da pata de ganso?
O tempo de tratamento da tendinite anserina pode levar de 3 meses até um ano. O que vai determinar o tempo de recuperação é o histórico do paciente, levando em consideração fatores como:
- Ele é um esportista?
- Há quanto tempo ele pratica esporte?
- Ele tem uma boa consciência corporal?
- Tem uma boa estrutura muscular?
Se a resposta for afirmativa para a maioria dessas perguntas, o tempo de recuperação tende a ser mais curto, sendo possível que seja até menor do que 3 meses.
Mas se formos tratar uma pessoa que é sedentária, com pouco ou nenhuma consciência corporal e sem força muscular, esse tempo será maior.
Portanto, não podemos definir um prazo fixo, que seja padrão para todas as pessoas. Cada uma vai responder ao tratamento de acordo com o seu condicionamento físico.
O cenário ideal é sempre evitar a lesão, portanto, saiba como prevenir a tendinite da pata de ganso.
Como prevenir a tendinite da pata de ganso?
Se você leu até aqui, percebeu que a causa da tendinite anserina raramente está restrita ao joelho. Na maioria das vezes, a dor é o reflexo de um desequilíbrio em outros locais, como a falta de ativação dos músculos do core, disfunções na região do quadril ou falhas no controle da postura e do equilíbrio.
Portanto, a melhor forma de prevenir é observar atentamente como seu corpo se comporta durante o exercício. Uma vez identificada qualquer falha, o próximo passo é o aperfeiçoamento do movimento. O problema é que, sozinho, nem sempre é fácil perceber e corrigir esses erros.
É exatamente nesse ponto que a Fisioterapia Esportiva se torna sua grande aliada. Através de um olhar especializado, conseguimos identificar falhas biomecânicas e auxiliar na sua reorganização durante a prática esportiva.
Vamos muito além do alívio de sintomas ou do trabalho de fortalecimento, nossa atuação foca na causa raiz do problema. O objetivo é realizar os ajustes necessários para devolver você ao esporte com um corpo mais funcional e com uma performance melhor.
A seguir, vamos responder às dúvidas mais comuns em relação à tendinite da pata de ganso.
O que você precisa saber: as dúvidas mais frequentes sobre a tendinite da pata de ganso
Usar joelheira é bom?
A cirurgia pode resolver o problema?
A seguir, vamos responder duas das principais dúvidas dos pacientes que procuram a nossa clínica e que desejam não apenas tratar a dor, mas saber como proteger o joelho de forma definitiva.
Usar joelheira é bom para quem tem tendinite da pata de ganso?
O uso da joelheira não resolve o problema por si só. As joelheiras de tecido são flexíveis e não proporcionam a sustentação necessária para que o joelho não faça a movimentação lateral que desencadeia a tendinite anserina.
As joelheira articuladas, por sua vez, oferecem maior estabilidade e proteção do joelho, mas ao custo de desestabilizar o restante do corpo.

O uso da joelheira pode trazer conforto e até aliviar a dor, mas não corrige a falta de equilíbrio e de postura que podem estar por trás da tendinite da pata de ganso.
O seu uso pode, inclusive, contribuir para o agravamento da lesão, uma vez que, ao mascarar a dor, faz com que você adie a busca por tratamento.
Cirurgia resolve a tendinite da pata de ganso?
Na grande maioria dos casos, o tratamento mais indicado para a tendinite anserina vai ser sempre o conservador. Mesmo que ocorra uma ruptura do tendão, a necessidade de cirurgia deve ser muito bem avaliada, podendo, em muitos casos, ser evitada.
A cirurgia pode ser necessária somente quando a lesão for muito extensa. Porque quando há um rompimento parcial do tendão, a parte que restou permanece íntegra e, desde que não continue a ser estressada, pode ter a sua capacidade de tensão aumentada. Mas para atingir esse resultado, os fatores estressantes precisam ser eliminados.
Mesmo na hipótese de uma cirurgia com colocação de prótese total, no pós-operatório será necessário um trabalho de reeducação da postura e do movimento para evitar o seu desgaste prematuro.
Portanto, com ou sem cirurgia, o tratamento sempre vai incluir a correção da postura e do equilíbrio.
Conclusão
Como vimos ao longo deste artigo, a tendinite da pata de ganso é muito mais do que uma simples inflamação no joelho.
É um sinal de que algo no seu movimento, na sua postura ou no seu equilíbrio está errado. Tratar o sintoma local pode oferecer um alívio temporário, mas a cura efetiva e a prevenção passam pela correção do movimento.
Seja você um corredor de rua, um praticante de CrossFit ou de qualquer outra modalidade esportiva, o segredo está em entender como o seu core, o seu quadril e sua postura influenciam a carga que seus joelhos estão recebendo.
A fisioterapia esportiva vai ajudar você a focar não apenas na lesão, mas no seu corpo como um todo, devolvendo a sua funcionalidade e melhorando a sua performance.
Se você está sentindo desconforto no joelho, agende uma avaliação com a nossa equipe. Estamos prontos para ajudar você a voltar a se movimentar com segurança e liberdade.
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Cristyan Shimamoto é Fisioterapeuta graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e especializado em Esporte e Exercício pelo HCFMUSP. CREFITO-3: 293897-F.


